26km pra que mesmo?!?

E não é que eu cheguei mesmo nesse tal de 26Km?!?

Confesso pra vocês que não foi fácil, depois de uma prova de 24km, saber que uma semana depois eu tinha que correr por mais 26km. Fiz um trabalho mental, mergulhei num poço profundo com águas borbulhantes e resolvi apertar o botãozinho pra não pirar. Sim. Sabe aquele botão vermelho? Então, esse mesmo. Dessa maneira evitei ficar pensando muito sobre o assunto… só fui.

Como o longão rolou no feriado de Páscoa, e a USP não estava aberta, resolvi fazer meus 26Ks percorrendo a ciclovia entre os trechos que interligam Pq. Villa Lobos e Pq. Ibirapuera. Comentei esse meu roteiro com as meninas no treino de quinta, e eis que a Thays decidiu fazer comigo os 20km que ela tinha na planilha dela. Maravilha!! Tive companhia!! 😀

Sexta a noite separei os suplementos: 2 saches de GU (gel), 1 bananinha e 1 saquinho de azeitonas (para repor o sal). 😉 Roupas arrumadas. Tudo organizado. Time to sleep.

Acordei bem cedo: 5h30. Combinei às 7hs com a Thays pra não pegarmos nem trânsito de bikes e corredores, e nem muito calor.
Me arrumei na inércia de sempre e parti pro Villa Lobos.

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Começamos o treino logo depois das 7h.
Já partimos pra ciclovia de cara e corremos num pace confortável. Fui na frente, dando o ritmo da corrida. Lá pelo 8km tomei meu primeiro gel. Fomos até a Sto Amaro (9,5km) e voltamos pro Pq. Villa Lobos. Na volta, a Thays foi dando o ritmo do treino. Comi meia bananinha no 15km. Não sei se estava mais cansada, se tinha mais subida, mas senti que fiz um pouco mais de esforço pra manter o ritmo.
Paramos poucas vezes durante esse trajeto. Tivemos sorte (ou não) que os faróis estavam a nosso favor. rsssss
Chegamos no parque, demos um pitstop pra abastecer as garrafinhas d’água, beber uma água de coco e fomos terminar os 2km restantes do treino da Thays.

Despedidas e fotos, eu ainda tinha mais 6K pra finalizar. Completei o treino com 2 voltas no parque, não sem antes comer minhas azeitonas, o restante da bananinha e fazer um pitstop (number 2) no banheiro.

Terminei o treino inteira. De verdade. Sem muitas dores, mas cansada. Nos 2 últimos kms dei uma acelerada pra ver se o corpo aguentava um esforço maior. E deu certo. 🙂

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Fiquei feliz com meu treino. Mesmo parando algumas vezes por causa de farol, despedidas e piriri. Acho que foi um ótimo teste pra sentir o que vem por aí.

Final de semana que vem o treino vai ser maior ainda. Então desde já, fazendo aquela terapia do botão pra não pirar o cabeção. 😛

Bjs e nos vemos nas pixxxtassss!!

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Aqueles 24K da Maratona SP

Fala Galerinha!!
De volta aqui pra contar um pouquinho como foram os meus primeiros 24K de rua, que rolou final de semana passado na Maratona de SP.

Como todos sabem, venho treinando para a minha primeira Maratona, que acontecerá dia 18 de Junho, na Maratona do Rio de Janeiro. Como agora já faltam menos de 3 meses, os longos estão sendo LONGOS mesmo!! Estou correndo uma meia-maratona todo final de semana. E no meio da planilha, tinha uma prova de 24K. Por que não encaixar o útil ao agradável?!? Inscrição feita.

Eis que chega o tão esperado dia de correr MAIS que uma meia-maratona de rua na minha vida (porque sim! eu já corri mais que uma meia-maratona de montanha! Apenas. rssss)

Chego por volta das 6hs lá na região do Ibira. Gosto de chegar bem cedo pra poder fazer todo ritual de me arrumar, trocar ideia com a galera, fazer um pipi-stop e estar com a cabeça e a energia pronta pra hora da largada.

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Nos reunimos toda equipe pra uma foto geral e fomos pros currais devidamente marcados no número de peito. (realmente tinha muita gente. demoramos mais de 12 minutos pra largar).

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Comecei a prova de boa, até porque tinha muita gente correndo, e como todas as largadas são juntas – 8k / 24k / 42k – demora um pouco pra pegar o embalo. Correr, correr mesmo, só depois de 4km.
Nos 3 primeiros kms fui acompanhando Marisa e Thays. Éramos o trenzinho da alegria. Uma atrás da outra. Até eu parar pra amarrar meu tênis. Não! Ele não desamarrou. Eu é que achei que ele estava um pouco frouxo e resolvi melhorar o laço.
Depois dessa pausa de 10seg. perdi a Thays e a Marisa de vista. Foi aí que eu acelerei pra alcança-las e botei pra escanteio toda minha tática da prova. Eu não podia ter aumentado a velocidade como fiz. Corri por 2 kms em velocidade bem rápida e obviamente, cansei. Quando encontrei a Marisa, o corpo já estava com a adrenalina lá em cima!
Marisa mantinha uma velocidade constante, que teoricamente é confortável pra mim. Mas o problema é que devido ao meu esforço para alcança-las, eu não conseguia manter aquele ritmo como “confortável”. Embora eu ficasse várias vezes cansada, Marisa não me abandonava. Ela decidiu me acompanhar por toda prova, sem deixar que meu ritmo caísse demais. Corremos lado a lado praticamente o percurso inteiro. Falamos poucas vezes. Nossos pensamentos é que davam o tom da passada. E íamos firme e forte. Marisa, obvio, estava INTEIRA, e eu, quase morrendo pra manter a velocidade constante. (pensa numa pessoa que não sai do ritmo…. é essa japinha, Marisa). Falei várias vezes que ela podia seguir e fazer a prova dela – ela estava indo para os 42K – mas ela não arredava pé e ficava ao meu lado me motivando pra eu não cansar.
Tive princípio de cãibras, um leve incomodo no quadril, dores na sola do pé e a cabeça chorando de raiva de eu não parar…!! E eu não ia parar. Só no pórtico de chegada.
Durante vários momentos na corrida eu contava a quilometragem ao contrário – faltam 9km… agora faltam 8km… agora só 5km… pronto cheguei na USP… agora só a raia e FIM!!

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E na chegada, antes de cruzar o pórtico, peguei na mão da Marisa, agradeci e mandei vibrações positivas pra ela finalizar os 42km linda e radiante!!
E lá fui eu, querendo chorar, finalizar meus primeiros 24km de corrida de rua!!
Consegui!! Com várias dores pelo corpo do esforço excessivo, mas vibrando até a última gota de suor!!! \o/

Fiz no tempo que imaginei. Dentro do pace que eu queria. Tudo graças a Marisa. 😀 Muito amor por Marisa ❤ rssssIMG_2041

Não tenho o que reclamar dessa prova. Tudo estava muito bem organizado! (pelo menos até os 24k). Postos de hidratação (água e isotônico) gelados a cada 3km. Retirada de medalha e kit pós prova sem tumulto. Fila do ônibus bem organizada.

Foi uma ótima preparação para a maratona.
E digo mais, agora sim eu REALIZEI que vou correr 42km.

E que venham os próximos treinos!!

Bjs e nos vemos nas pixxxxtas

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Corrida mágica: Ultra dos Anjos, UAI!

Pensa numa pessoa que queria participar de uma corrida sem pretensão de correr. Apenas pra estar junto da galera. Pra poder presenciar tudo aquilo. Pra poder curtir cada visual. Pra se emocionar junto aos amigos. Pra filmar cada trechinho de terra. Pra viver cada minuto daquela magia.

Pois é, pensei tão forte que fui convocada nos 45 do segundo tempo pra ir pra UAI fazer o apoio da minha assessoria Nova Equipe. E foi realmente mágico. Vou contar pra vocês a minha experiência como apoio da Ultra dos Anjos.

Pra quem não conhece, essa corrida está entre uma das ultramaratonas de montanha mais difíceis do mundo. Ela é tão importante que dá pontuação para a se qualificar para correr as principais corridas de montanha do mundo, como a UMTB (Ultra Trail Mont Blanc) por exemplo. A prova tem 5 distâncias – 25KM, 65KM, 95KM, 135KM e 235KM que são percorridas por estradas de terra, pedregulhos e asfalto. Existe tempo limite de corte para cada trecho e os participantes podem fazer a prova solo ou de revezamento, com ou sem apoio. A corrida tem largada em Passa Quatro, sul de Minas Gerais. O percurso passa por algumas cidades pela região, voltando para completar o trecho de 235km na própria Passa Quatro.

Minha jornada começou na quinta à noite. Eu e a Carol (Táta) fomos, já no final do dia, para Passa Quatro encontrar com o pessoal da Assessoria Nova Equipe, se instalar e preparar as coisas para a corrida que aconteceu na sexta-feira (01/julho).
Dormir pra que mesmo? Foram algumas poucas horas de sono e às 5 da matina já estávamos praticamente todos de pé. Ajeita tudo daqui e dali e partiu largada. Eu fiquei incumbida de dirigir o carro do coach Emerson Bisan e dar apoio para todos da minha equipe. Todos se reuniram em frente a igreja da cidade, onde estava montado o pórtico para dar início à corrida. Fotos e mais fotos e às 8hs em ponto começou a magia.

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Fui para o carro para não me distanciar muito da galera, e eis que surge um pequeno probleminha: o porta malas não trancava. Desespero total. Não sabia direito como proceder, entrei em um mini pânico, mas em segundos algumas boas almas apareceram para me ajudar. Parei azap em um mecânico, ele ajustou a porca do parafuso e me alertou para não ficar abrindo muito o porta malas. Agradeci aos céus e fui para a prova. Estava preocupada pois não sabia direito quais eram as rotas, mas logo apareceu o Carlos Mello na minha frente e foi como se tivesse caído um anjo dos céus para me ajudar. Foi um alívio imediato. Obrigada!!!

Enfim, agora sim rsss, começou a corrida. Já avistei todos a minha frente correndo felizes. O dia estava lindo, um solzinho para esquentar a alma e o coração. Fui seguindo os carros de apoio (eram muitos) que estavam à frente, e percebi que não tinha muito segredo: era só acompanhar a estrada e as setas amarelas.

No começo estava com a estratégia de dirigir 5km e esperar quem passasse, mas depois de 2 pit stops o coach pediu pra que eu alcançasse o Chris. Fui em busca dele, passando por todo mundo, parando pra dar os suprimentos, apoio moral e incentivo pra galera que corria.

Alcancei o Chris que já estava láááááá na frente. rsssss Então resolvi parar até todo mundo me alcançar de novo. Essa hora foi mega divertido, porque pude filmar todo mundo, gritar, vibrar e ver a carinha de cada um de felicidade. 😀 Aqui estávamos mais ou menos no 20km. A Jade entrou no carro, pois não estava muito bem, com pressão baixa e fomos para o primeiro PC (25km), na cidade de Itamonte. Encontramos as meninas – Lih Guerreiro, Aline, Áurea e Carol! Todas lindas, emocionadas e realizadas pela conquista da prova. A Lih Guerreiro foi quinta colocada feminino geral. Muito forte essa loira, viu?!? rsssss

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Preparamos uns lanchinhos para a galera que estava rumo aos 65km, pipi stop e partimos para alcança-los. Cruzamos a cidade e pegamos uma estrada. Ali começava um dos trechos mais difíceis dos 65km – a subida. Mesmo estando em estrada de asfalto, via-se que o cansaço já dava alguns sinais em alguns participantes, e a moderação era a melhor companheira. 😉 Paramos 2x na estrada para dar apoio para todos, inclusive a Jane, que estava desesperada pra comer o sanduichinho de atum que ela mesma tinha preparado. Muitos apoios paravam no mesmo trecho que nós, parecia tudo combinadinho rssss

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Depois dessas 2 paradas, deu-se início a Serra do Papagaio. É asfaltada, mas com uma bela de uma inclinação. A vista é linda demais, mas sofrida! Ali deu pra sentir porque aquela prova é realmente dura. Quase mais ninguém corria. Caminhar era o lema. O melhor jeito de chegar inteiro lá em cima.

Paramos bem no topo da serra para esperar toda a equipe. Era incrível como a hora passava rápido demais. Quando víamos, já estávamos há quase 1 hora esperando o pessoal. E quando eles chegavam era um sorriso imenso ao nos ver!!! 😀 Quanta emoção em ver aqueles rostinhos felizes!!

Ainda tinha muito chão pela frente, e até que enfim a serra tinha acabado. Agora era uma descida delícia com um visual de tirar o fôlego. Já era mais de 4 da tarde e o sol começava a se pôr. O dia realmente foi perfeito para a prova.

Fizemos mais um pit stop, lá pelo 57km. Era uma curva, de estrada de pedras. Descida sinistra. Nossos guerreiros (Bisan, Marisa, Renan e Sid) apareceram fortes e radiantes. O Deco parecia que corria nas nuvens. Estava extremamente tranquilo na prova. Incrível como estava bem! 🙂

Demos suprimentos para nossos anjos e fomos para Alagoas, PC dos 65km. Cruzamos com vários corredores, inclusive com o Deco e a Jane. Chris já estava lááááááá na frente. Sorte que tínhamos o Rodrigo Lourenço que estava de apoio para outro corredor e nos deu um suporte com o Chris! 😀

Chegamos no PC (65km) e ficamos aguardando. A noite já caia e a preocupação começou a bater. Será que o Chris está bem? Jane, vai de boa, não se empolga! E nossos guerreiros que estavam pra chegar nos 65km, será que estão bem? Com fome? E os minutos passavam, e a ansiedade só aumentava.

Por fim. Chegaram! Deco foi o primeiro (ele estava para os 65km) – Chegouuuuu!!! \o/
Mais alguns minutos e chega o trio ternura – Bisan, Marisa e Renan. 😀 Preocupação master em saber se eles estavam bem, tranquilos, aguentando firme. A Marisa eu queria carregar no colo. Ainnnn, pensa em uma japa muito quietinha rsss Ajudei ela como pude pra que ela não se preocupasse com nada. A Aline estava dando apoio pro Renan e Áurea pro Bisan. 🙂

Antes do trio partir, chegou o Sid todo realizado. Completou os 65km!!! \o/
Eles saíram para completar os 95km e eu, Áurea e Aline fomos jantar alguma coisa para poder acompanha-los até o final. O resto do pessoal voltou com o Lourenço pra Passa Quatro.

Devidamente alimentadas, partimos para alcança-los. A estrada era escura. Um breu. Não se enxergava um palmo à frente. E aquela lanterninha de Led não era lá muito forte. Quando alcançamos o trio, percebemos que eles queriam muito nosso apoio. Chris já estava chegando nos 95km. A Jane já estava na metade do caminho e logo chegaria. Então resolvemos ficar com os 3 e iluminar o caminho pelos últimos 20km.

Nessa hora deu pra perceber o quanto essa prova é desafiadora. Eram 30km de estrada de terra, no escuro, com medo de bicho, de assombração, de ET, de qualquer coisa que possa aparecer na sua frente sem ser convidado. Medo. Pra mim, muito medo! Ainda mais que cruzamos com pessoas que estavam sozinhas. Survivors. Corajosos mesmo. Jamais eu faria aquele trecho de noite, sozinha. Se já tenho medo de dia, que dirá de noite. rssss Sentimos que essa hora somos mais forte que nosso corpo. A mente é que manda. Se eu já estava cansada dentro do carro, que dirá quem estava correndo. Aquele momento foi onde a emoção e a magia da prova bateram mais forte. Estávamos caladas. Só observando eles correrem. Eu via cada pedacinho de terra, de árvore, de céu como cúmplice da prova. Cada metro que o trio percorria eu sentia algo diferente dentro de mim. Um mix de realização com medo. Passa tudo pela cabeça. Percebe-se ali como o apoio é tudo nessa corrida. Só de saber que estávamos ali, já existia aquele sentimento de segurança, de aconchego, de socorro se algo der errado. E eu não iria sair dali por nada.

Por fim, nos últimos 5km a Aline resolveu correr com eles. E logo alguns metros eu também resolvi descer do carro. Não aguentava mais ficar ali. Já estava pirando, com dor de cabeça, tontura. Precisava correr com eles, sentir a brisa da noite, a emoção da respiração deles, o olhar de cada um… ali a magia da prova entrou de vez em mim!

Foram apenas alguns kms que separavam o trio da chegada, da conquista, da realização de um sonho. Foram mais alguns passos para conquistar as asas que só a UAI pode dar para esses guerreiros terrestres. E eles chegaram!!! \o/
Bisan, Marisa e Renan conquistaram as tão sonhadas asas! Inteiros, radiantes e felizes!!!

E lá já estavam nos esperando a Jane e o Chris, devidamente alados!! 😀

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Jane, Chris, Renan, Bisan e Marisa (trio ternura) 🙂

Agora eu entendo porque essa corrida te dá asas. Ela é mágica, desde os preparativos até cruzar a sua linha de chegada. Tem um espírito maior que o humano. Espírito dos 4 elementos: terra, fogo, água e ar! O céu, as estrelas, a mata, a terra, o rio, o vento… todos cúmplices da luta que é cada metro percorrida, cada km deixado pra trás, cada minuto que falta pra chegar. Via na vibração do trio ternura cada emoção por km percorrido. Era de querer chorar!!

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Ano que vem estarei lá novamente, indo em busca das minhas asas tbm. Não sei pra quanto eu vou, só sei que com certeza estarei ao lado desses anjos, em busca de um lugar na corrida mágica!! 😀

Abaixo o vídeo que fiz da prova!
Aqui vocês irão sentir em movimento um tiquinho mais dessa emoção toda!!

Bjs e nos vemos nas pistas e nas trilhas!! 😀